sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Canhoto





 acho que sou um tanto assim,
 muito estranho.
 - graças a deus!
 como posso me sentir de outro modo.
 não me passo.
 nem espero viver conforme.
 nada mais fútil do que a conformidade,
 nada mais triste.


 deveríamos abolir qualquer forma de humanização igualitária!
 a declaração dos direitos humanos, por exemplo,
 é um farsa,
 é ridícula.
 ninguém tem o direito de ser igual a ninguém!
 ninguém é igual a ninguém, porra!
 nem tente me convencer.
 estou só,
 estou ocupado...
 vejo pássaros na janela,
 e meu reflexo na parede.


 estou só,
 estou ocupado.
 traço meus planos sem ajuda
 e os outros...
 ah, os outros.
 o que seriam deles sem mim?
 o que seria de mim sem eles?
 o que seria de mim sem mim mesmo...
Rivaldo Júnior

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Ópera, cap IX : Dom Casmurro (Machado de Assis)

E, depois, de beber um gole de licor, pousou o cálice, e expôs-me a história da criação, com palavras que vou resumir.
Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles outros condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera, do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros, — e acaso para reconciliar-se com o céu, — compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno.
— Senhor, não desaprendi as lições recebidas, disse-lhe. Aqui tendes a partitura, escutai-a, emendai-a, fazei-a executar, e se a achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés...
— Não, retorquiu o Senhor, não quero ouvir nada.
— Mas, Senhor...
— Nada! nada!
Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.
— Ouvi agora alguns ensaios!
— Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.
Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música, para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. Certos motivos cansam à força de repetição. Também há obscuridades; o maestro abusa das massas corais, encobrindo muita vez o sentido por um modo confuso. As partes orquestrais são aliás tratadas com grande perícia. Tal é a opinião dos imparciais.
Os amigos do maestro querem que dificilmente se possa achar obra tão bem acabada. Um ou outro admite certas rudezas e tais ou quais lacunas, mas com o andar da ópera é provável que estas sejam preenchidas ou explicadas, e aquelas desapareçam inteiramente, não se negando o maestro a emendar a obra onde achar que não responde de todo ao pensamento sublime do poeta. Já não dizem o mesmo os amigos deste. Juram que o libreto foi sacrificado, que a partitura corrompeu o sentido da letra, e, posto seja bonita em alguns lugares, e trabalhada com arte em outros, é absolutamente diversa e até contrária ao drama. O grotesco, por exemplo, não está no texto do poeta; é uma excrescência para imitar as Mulheres Patuscas de Windsor. Este ponto é contestado pelos satanistas com alguma aparência de razão. Dizem eles que, ao tempo em que o jovem Satanás compôs a grande ópera, nem essa farsa nem Shakespeare eram nascidos. Chegam a afirmar que o poeta inglês não teve outro gênio senão transcrever a letra da ópera, com tal arte e fidelidade, que parece ele próprio o autor da composição; mas, evidentemente, é um plagiário.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Me Deixa (O Rappa)





















"Podem avisar, pode avisar,
Invente uma doença que me d
eixe em casa pra sonhar...
Podem avisar, pode avisar,
Invente uma doença que me d
eixe em casa pra sonhar...

Com o novo enredo outro dia de folia,
Com o novo enredo outro dia de folia.

Eu ia explodir, eu ia explodir,
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí...

Me deixa,
 que hoje eu tô de b
obeira...

Hoje eu desafio o mundo s
em sair da minha casa,
Hoje eu sou um homem mais sincero e
 mais justo comigo.
Hoje eu desafio o mundo s
em sair da minha casa,
Hoje eu sou um homem mais sincero e m
ais justo comigo.

Podem os homens vir que n
ão vão me abalar,
Os cães farejam o medo,
Logo não, vão me encontrar...
Não se trata de coragem!
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo p
ra cantar...

Me deixa, 
que hoje eu tô de
 bobeira...

Me deixa, 
Que hoje eu tô de
 bobeira.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Rapaz, cuidado com as mulheres.






a mulher trai,
a mulher se nega.
a mulher se faz.

a mulher condiz, diz e contradiz.
desfaz.
a mulher orienta,
a mulher inventa,
tenta tentação.

a mulher mente como a língua da serpente.
e joga a culpa nos outros, no mundo, em você.
e finge que nada aconteceu.

a mulher se maquia,
a mulher se pinta,
a mulher se multiplica dentro de si mesma.

a mulher despista,
conquista,
avista.
embaça.

a mulher,
com seu sorriso inocente,
com seu sorriso culpado,
pode prender,
pode ferir,
pode matar,
mata 

qualquer homem de amor.
Rivaldo Júnior

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Soneto da Hora Final (Vinicius de Moraes)



Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia...
Para a porta de trevas, aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do segredo
Eu, calmo, te direi: - Não tenhas medo
E tu, tranquila, me dirás: - Sê forte.

E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mãos dadas (Carlos Drummond de Andrade)




Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.





Tributo ao poeta do mundo.

domingo, 30 de outubro de 2011

Juízo Final (Nelson Cavaquinho)





O sol... há de brilhar mais uma vez.
       A luz... há de chegar aos corações!
Do mal... será queimada a semente.
O amor... será eterno novamente...



É o Juízo Final, 
                 a história do bem e do mal!

Quero ter olhos pra ver, 
                     a maldade desaparecer...





quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Prova pericial




















"Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens, e estará sujeita à cobrança após o sinal. Bip."

Não sei se você está me ouvindo,
Se você ainda sabe que vivo aqui...
Se já deu tempo suficiente pra me matar dentro de ti.

Não sei se sou ainda importante o mínimo de um último pedido,
um último recado
uma última palavra
um último suspiro...

não desligue o telefone, espere por favor.

Só estou ligando,  pra te pedir, por favor...
Já que decidiste ir embora, de uma vez por todas,
sem ao menos olhar pra trás,
sem ao menos ponderar as circunstâncias vividas,
os momentos construídos...
as minhas mais sólidas esperanças de vida -
que agora não representam mais nada!

Já que decidiste ir embora sem ao menos se preocupar comigo,
com o nosso amor,
te peço:

Morra o quanto antes 
e da forma mais dolorosa possível.

sentirei sua falta.
Rivaldo Júnior

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nantes (Beirut)




Well it's been a long time, long time now...
Since I've seen you smile.

And I'll gamble away my fright,
And I'll gamble away my time.
And in a year, a year or so...
This will slip into the sea,
Well it's been a long time, long time now,
Since I've seen you smile!

Nobody raise your voices,
Just another night in Nantes.
Nobody raise your voices,
Just another night in Nantes.




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Da influência dos espelhos (Mário Quintana)



Tu lembras daqueles grandes espelhos côncavos ou convexos que em certos estabelecimentos os proprietários colocavam à entrada para atrair os fregueses, achatando-os, alongando-os, deformando-os nas mais estranhas configurações? Nós, as crianças de então, achávamos uma bruta graça, por saber que era tudo ilusão, embora talvez nem conhecêssemos o sentido da palavra "ilusão".
Não, nós bem sabíamos que não éramos aquilo!
Depois, ao crescer, descobrimos que, para os outros, não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros vêem.
Cuidado, incauto leitor! Há casos, na vida, em que alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo "eu". Que pode uma alma, ainda por cima invisível, contra o testemunho de milhares de espelhos?

Eis aqui um grave assunto para um conto, uma novela, um romance, ou uma tese de mestrado em Psicologia.
                        

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Poeminha sem-graça



Meu amor,
o nosso amor
não vai ter fim

do mesmo modo que esse poeminha não tem ponto final

Rivaldo Júnior
                        

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dois e dois são quatro (Ferreira Gullar)



Como dois e dois são quatro,
Sei que a vida vale a pena.
Embora o pão seja caro,
E a liberdade pequena.


Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena.
Como é azul o oceano
E a lagoa, serena!

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena...
E a noite carrega o dia,
No seu colo de açucena.

- Sei que dois e dois são quatro!
Sei que a vida vale a pena!
Mesmo que o pão seja caro,
e a liberdade pequena.

                        

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Saudade da boa (Flávio José)




Quando penso em você,
o meu olhar se enche d'água...
não tenho um pingo de mágoa,
É só saudade da boa!

Que fica na lembrança de um beijo,
Do abraço que ninguém me deu igual,
Da noite que valeu por todas que eu vivi...
O tempo foi passando e eu fiquei
Por todos os amores aonde andei, tentei,
Mas nunca deu pra esquecer de ti.

Ai, ai! Meu coração...
Passa dia, mês e ano,
Não consigo te esquecer.
Ai, ai! Meu coração...
Ainda bate apaixonado
Com saudade de você.



                        

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

¿por qué no te callas?




















senhor, livrai-me da cegueira da ignorância.
Que meus olhos possam ver o que meu corpo já não sente.
e que minha boca proclame a verdade.

uma gaiola desensina o pássaro a voar.

"engula o choro! engula o choro!"
o menino triste tem medo de falar ao público.
juventude sem voz... 
arrancaram nossas cordas vocais. 
soda dissolvido no leite.

dizem que isso é contagioso...
e eu me deixo (de) acreditar.

Rivaldo Júnior

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ismália (Alphonsus de Guimaraens)

Quando Ismália enlouqueceu...
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ressaca (Filipe Catto)


Deixo você, pro seu drink esquentar...
Meio álcool, meio água, meio gelo que já derreteu.
Deixo a canção pro cigarro engasgar
e a minha lembrança estar.

Deixo você pra quem quiser ser teu,
pra amantes desbotados que não ardem como eu...
Deixo tua cama quente, pro teu sexo triste,
Pra que nunca esqueças o que de mim restou
vestido pelo chão...

Enquanto te embriagas entre uma ilusão e outra.

Mas sei quando vem esse sol 
despertar tua manhã ao meio dia...
Tua ressaca tem o gosto da minha boca.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Por favor, só não olhe nos meus olhos.





vejo coisas que nunca as quisera ver.
tudo fica mais claro no final da primavera.só 
por que, então não fecho meus olhos...
finjamos essas coisas.

faça-me o favor de fingir me notar, pelo menos uma vez.
mas faça mesmo.
meu soluço te aguarda.
um sopro sem fôlego
me desmancho no teu ar.

só por não ter o que dizer-te, já
- ou talvez por mera covardia -
compro minhas lágrimas pela tua felicidade.
não te digo mais nada.
faço tuas, as minhas palavras e basta.
já houve barulho demais, as nuvens continuam lentas e o sol já se foi...

vai-te logo, queres mais o que de mim?
aquela última expressão de falta 
aquele último olhar pra trás.

a noite tudo fica mais frio.

e se ainda tens dúvida, vou logo te dizendo
consigo sim, viver sem você.
e muito bem.
Rivaldo Júnior

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nesta data querida...





O tempo tem certas coisas que me fazem refletir. Parar para olhar pra trás e ver como a gente cresceu. Crescemos. Criamos e recriamos expectativas e sonhos. Pedaços de vontades. Sabores de metáforas. E aquele gostinho agridoce da saudade que mais embebe inspiração. Transpiração. Um modo feliz de ver a vida e suas virtudes e virtuosidades de modo coerente e satisfeito. Parar para olhar o mundo. Tomar um café. Sentar-se sem pressa. "Já vai? É cedo. Tenho a tarde toda para você."
Um ano. E a contemplação de uma improvisação de uma tarde de domingo que me celebra a grandiosidade do poder das palavras. Palavras de Mesa. Sobre a farta mesa do meu banquete verbal, quantos amigos experimentaram o sabor de minhas palavras. Doces ou salgadas ou amargas, paladativas. Mas sempre prontos a sentar-se e passar uma noite inteira conversando bobagens a rum e samba. Minha pequena casa hoje celebra seu primeiro banquete de aniversário. Entrem! Comam! Sintam-se à vontade. A casa é sua!
Minha técnica, como disse na primeira postagem, é a prática. Minhas palavras, ingredientes.  Meus textos exalam o doce aroma das noites quentes de um verão marinho. Das manhãs frias do bolo de fubá sertanejo. Da minha primeira aventura em uma tarde de setembro a cozinhar segredos e histórias. E hoje, hoje faço das minhas palavras mais do que a pretensão pré-imaginada me pudesse convir. Verbofagia. Palavras de Mesa. Uma forma certa de achar o alimento que nutre a alma e o coração.


Amigos parceiros:

Neto Chagas - Destinatário                                              Daline Soares - Que seja leve...
Carla Miqueli - Pieguices                                                                  Dênys Vytor - Carpe
Rafa Santana - A beleza de suas Utopias                                   Isia Pereira - Mundo de Isia


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Vento que venta cá...




onda do que faço
na oscilação doentia do malquerer.
daquilo que não se quer
ou simplesmente se finge nãoquerer.

faço o que não faço
redesenho sintomas e expectativas...

te quero?
Talvez...
agora?
Possivelmente
e então?
então que o céu se torna mais escuro
e a sua falta agora é que chega a mim
Rivaldo Júnior

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Coração Pirata (Roupa Nova)



O meu coração pirata toma tudo pela frente,
Mas a alma adivinha
O preço que cobram da gente.
E fica sozinha...
Levo a vida como eu quero,
Estou sempre com a razão.
Eu jamais me desespero
Sou dono do meu coração!
Ah! O espelho me disse
Você não mudou...
Sou amante do sucesso -
Nele eu mando, nunca peço -
Eu compro o que a infância sonhou...
Se errar, eu não confesso...
Eu sei bem quem eu sou
E nunca me dou!
As pessoas se convencem
De que a sorte me ajudou...
Plantei cada semente
Que o meu coração desejou!
Ah! O espelho me disse
Você não mudou...
Quando a paixão não dá certo,
Não há porque me culpar!
Eu não me permito chorar
Já não vai adiantar...
E recomeço do zero sem reclamar.
Quando a paixão não dá certo
Não há porque me culpar!
Eu não me permito chorar,
Já não vai adiantar,
E recomeço do nada sem reclamar

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima" (Clarice Lispector)




Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como eu sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia jamais dizer que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Primeiro manifesto contra o existencialismo, ou qualquer coisa do gênero.


Não há realidade. 
A busca mais incerta do ser é ao encontro do que é certo. 
E o que é certo? 
Não há certeza. 
Não há há. 
Não há. 

Porquê? 
Não sei... porque não há. 
E só isto já se basta. 

As linhas retas do trilho não invadem minha casa. 
As montanhas não são feitas de promessas. 
E o meu peito não bate. 
Não bate. 
Não bate. 
O cachimbo ainda continua aceso. 
Há ou não há cachimbo? 
Não há cachimbo. 

Isto não é um cachimbo.

E não teime em teimar que é porque não é. 
Cantemos a não existência da existência. 
Meros pedaços tornam a me dizer coisas indizíveis.
Mostrarei o quão suave é a brisa que corre no campo. 
Não tem cor. Não tem aroma. Não há. 
Mas se revela de sua própria existência inexistente. 

Como não há?
Não tenho tempo para explicar-lhe.
Mas não basta. Não há explicação.
Se olhe no espelho de vez em quando, ora!
Por que me persegues?

Ontem cedo cortei o cabelo. 
e o sol brilhava tímido.

Se ele há? Talvez.
eu não.
Rivaldo Júnior