Embora a concepção sociológica afirme que o homem é produto do meio em que vive, cabe ao ser social a forma como ele interagir-se-á com a realidade da qual faz parte. E é nessa sociedade, cada vez mais plural e dinâmica, que o indivíduo constrói a base das suas decisões. Portanto, os diferentes ângulos de observação dos fatos e posições refletem a multiplicidade de opiniões e atos que formam o caleidoscópio social que nos abriga. A comunidade humana, cada vez mais heterogênea, é fruto de decisões importantes e momentos essenciais. Essas situações, nem sempre favoráveis à posição da maioria, foram fundamentais no processo de construção do mundo atual e suas interpretações dependem do modo como são encaradas. De forma natural, o homem começa a perceber que existem maneiras diferentes de observar as ocasiões e a partir do momento que ele aplica esse pensamento no seu dia-a-dia, surge-se as primeiras ideias e manifestações que lapidaram a história da humanidade. A realidade atual, por sua vez, apresenta características geradas pelo processo de modernização das civilizações. A desigualdade socioeconômica, a exploração demasiadamente irresponsável dos recursos naturais e a subordinação intelectual da massa em frente a governos manipuladores, por exemplo, cegam qualquer ótica positiva sobre esses aspectos. Porém, a imprudência não justifica a complacência. É necessário por em prática o ponto de vista crítico e agir de forma determinante, de modo que as irregularidades possam ser revertidas e a mudança maior seja a crença na realização de um futuro melhor. É vã a esperança em um futuro melhor, se pouco for feito para mudar o presente. A vontade e a harmonia do homem e das coisas visualizando o amanhã serão as engrenagens da transformação do homem e do planeta. Todavia, esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu.
Se queres partir ir embora
Me olha da onde estiver
Que eu vou te mostrar que eu to pronta
Me colha madura do pé.
Salve, salve essa nega
Que axé ela tem
Te carrego no colo e te dou minha mão
Minha vida depende só do teu encanto
Cila pode ir tranquila Teu rebanho tá pronto.
Teu olho que brilha e não para
Tuas mãos de fazer tudo e até
A vida que chamo de minha
Neguinha, te encontro na fé
Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer
Ó meu pai do céu, limpe tudo aí
Vai chegar a rainha
Precisando dormir
Quando ela chegar
Tu me faça um favor
Dê um banto a ela,
que ela me benze aonde eu for
O fardo pesado que levas
Deságua na força que tens
Teu lar é no reino divino
Limpinho cheirando alecrim
As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vão levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar
Hoje à noite namorar
Sem ter medo da saudade Sem vontade de casar
Calça nova de riscado
Paletó de linho branco Que até o mês passado Lá no campo inda era flor
Sob o meu chapéu quebrado
Um sorriso ingênuo e franco
De um rapaz moço encantado
Com vinte anos de amor
Aquela estrela é bela Vida vento vela leva-me daqui
Aquela estrela é bela
Vida vento vela leva-me daqui
Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!
Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir ...
Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens, Sem esperança, em liberdade, sem nexo,
Acidente da inconseqüência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros! Dêem-me de beber, que não tenho sede!
No centro de tudo eu. E o que é tudo? Os meus olhos não conseguem ver nada. O Chão é claro, branco. O Teto, não muito alto, é tão alvo quanto o solo. As Paredes de tão longes parecem inatingíveis. E no centro de tudo eu. Uma angústia começa a afligir-me. Meus olhos ardem. Não conseguem distinguir Chão, Parede e Teto desse enorme salão branco. Cima e embaixo. De repente grandes objetos metálicos se aproximam com uma velocidade indelicada. São enormes esferas de chumbo. Elas giram em um balé desordenado, imitando as órbitas elípticas dos planetas. E eu no centro como o Sol. Em um movimento de aceleração constante elas se emparelham e rodam ao meu torno. E, de forma espiral, se aproximam de mim. Tenho medo, mas estou aqui. E daqui não posso fugir. Tenho que agüentar, sê forte. Grito. As esferas param. E de dentro delas sai um barulho ensurdecedor. Um ruído que me incomoda. Que me enlouquece. Me desorienta. Grito. Elas se afastam. Calam-se. Param. Começo a correr nesse espaço inexplorável. Quanto mais eu corro, mais perdido fico em meio ao nada. Tento encontrar as Paredes mas começo a perceber que elas não existem. Caio e deito no chão. Um líquido arroxeado, viscoso e grosso começa a brotar do Teto. Infiltra e cai em gotas rápidas. Em todas as partes, essa substância escorre e se acumula no Chão. Curioso, toco nesse material. Uma sensação terrível passa por mim. Uma queimadura. Um choque elétrico. Um calafrio. Afasto-me. Porém o líquido começa a se acumular, e a avançar sobre mim. Não tenho para onde correr. O nível me alcança e vai lentamente tomando meu corpo. Dói. Fere. Começo a chorar. Inutilmente. Quanto mais me debato, mais torturado eu sou. Sofro. O nível, e sua sensação medonha, alcançam meu pescoço. Olho angustiado pro Teto. Não sinto meu corpo. O líquido lentamente vai tomando minha boca. Meu olhar firme treme por alguns segundos. Afogo-me. O cheiro das velas e das flores incomoda meu nariz. Com as costas das mãos, enxugo meu rosto inchado. Derramo minha última lágrima. Minha vida acabou. Naquele caixão jaz toda a minha vida, o meu amor. No meu coração resta apenas um vazio imenso, cheio de saudade.
Ontem, Atrás da minha casa havia um grande abacateiro Sua sombra cobria todo o quarteirão Ele era meu melhor amigo.
À tarde, Corríamos juntos pelo quintal empoeirado, Brincávamos. Eu subia nas suas costas E pedia que me contasse uma história As aventuras de Ali Babá e seus ladrões... Ele me amava E eu era a criança mais feliz do mundo.
Hoje, Ergueram um grande prédio onde ficava minha casa. Uma multinacional com mais de mil andares Progresso do país Sua sombra nem sequer atravessa a rua.
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Moi je t'offrirai
Des perles et des pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racontrai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
A busca do sentido da vida sempre assombrou a consciência humana. As respostas para perguntas simples com: “Porque tudo isso?” e “Para quê?”, jamais foram encontradas. Séculos se passaram e gerações se sucederam sem que houvesse a menor certeza de o que aconteceria amanhã. Do pó viestes, ao pó voltarás. As marcas deixadas por nossos atos são as únicas heranças que sobram para o mundo que nos gerou. Talvez o tempo, essa força que nos envelhece e mata, ou as ocupações, cada vez mais corriqueiras de uma sobrevida apressada, têm tornado o modo de vida mais fútil e desvalorizado. Sorrimos menos, vivemos menos. Estamos sempre apressados em meio a uma avalanche tecnológica. Somos cada vez mais cobrados e classificados. Devemos obedecer o rigoroso sistema que nos aprisiona. Caso o contrário, somos jogados à margem, excluídos da sociedade. Como marionetes, somos presos por nós mesmos na nossa trivial luta cotidiana. O dramaturgo inglês Charles Chaplin comparava a vida a uma peça de teatro que poderia, ou não, terminar em aplausos. A escolha caberia, portanto, a cada um de nós. Lançados como sementes na Terra, somos único e exclusivamente responsáveis pelos frutos que geraremos amanhã. E assim, pois, se constrói a sociedade contemporânea. A nossa realidade é consequência da atuação de todos os seres no palco terrestre. E a vida, essa aventura improvisada, é o enredo que escrevemos a cada dia de acordo com as ocasiões e as escolhas que seguimos em meio ao conjunto social. Uma famosa música diz: “Viver é não ter a vergonha de ser feliz...”, porém é mais que isso; é optar pela felicidade e aproveitar ao máximo cada momento, antes que as cortinas se fechem e o espetáculo termine sem aplausos.
Rivaldo Júnior
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
E, de um dia pro outro, como se fosse mágica, distâncias encurtam, dilemas se resolvem, destinos se reescrevem. Desejos e realidade ficam de mãos dadas. Como mudar ou se mudar? Como se realizar? Como vencer? Como crescer? Como explicar que o impossível se tornou possível de ontem pra hoje? Surpreender. Se desprender. Ser o que se é. E ir além. Para onde quiser. Planeje. Calcule. Faça e refaça as contas. Faça de conta. Conte até dez. Até onze. Até dois mil e onze. Não desista. Resista. Insista. Persista. Lute até o final. Até o final feliz. Já começou uma nova década. Uma nova dezena de anos. Duas mãos abertas. E você está esperando o quê? Comece. Ou recomece. Erre. Erre. Erre. Erre até acertar. Acerte. Estude. Leia mais. Escreva mais. Desenhe mais. Invente. Se reinvente. Tente o que nunca tentou. Tente o que sempre tentou mas nunca conseguiu. Siga em frente. Seja diferente e ainda seja você mesmo. Recicle e se recicle. Se @tualize. Se comunique. Com ou sem palavras. Com cem palavras. Ou com apenas 140 caracteres. Como ser moderno e tradicional? Coisas que o tempo não leva. Coisas que só o tempo traz. A boa e velha experiência. E novas experiências. Faça o que você nunca imaginou. E faça aquilo que só você sabe fazer. Corra atrás. Corra na frente. Não espere. Espera não é esperança. No jogo de palavras da vida esperança é a primeira. E a última a morrer. Só que ela não morre. Ela renasce quando nós renascemos. Renasça. Faça de sua vida um livro que seus filhos possam ler e ter orgulho do autor. Feliz 2011!
Entrei com armas em teu território Plantei antenas no teu coração Andei pesado na tua sala Tal como árvore ou como torre E abrindo a boca ela devorou E abrindo os braços fez a dor passar Primeiro os pássaros Primeiro a roda E o pensamento de querer voar
Mas Deixando marcas Fazendo som Aqui se planta pra colher depois E os mercadores vão pagar pra ver E aquela onda vai querer passar É quando mudar a cor da nossa casa É quando voam os automóveis Pra outro canto Um ponto novo Com tudo aquilo que se refaz
Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
- Mas a opinião do exterminado?
- Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.
“Sou um homem dissolvido na natureza. Estou florescendo em todos os ipês.” (Carlos Drummond de Andrade)
Somos incontáveis seres vivos habitantes de uma mesma nave. Perdida no espaço, a Terra representa o maior complexo biótico conhecido. Enquanto isso, nós, seres humanos, representamos a classe mais alta na escala evolutiva. Porém, esse desenvolvimento, como nunca na história da humanidade, está afetando o ciclo contínuo de perpetuação do planeta. É preciso mudanças rápidas e definitivas para garantir a nossa amistosa relação com o mundo em que vivemos.
Desde infância nos sentimos ligados a um sentimento de universal de cidadão do mundo. Com as novas tecnologias podemos dizer que hoje participamos, de fato, de uma aldeia global. Um grupo constituído não só de seres humanos, mas de todos os organismos vivos, inclusive, o próprio planeta; formando a mais forte relação extraespecífica do universo. Segundo Moacir Gadotti, o âmago de nossas vidas consiste no sentido de identidade com o nosso planeta. Todavia, a forma de desenvolvimento neoliberal-capitalista, formada à base do consumismo desenfreado, acarreta ao planeta uma verdadeira crise produtivo-ambiental.
Conforme diz a Carta da Terra, documentado apresentado nas Organizações das Nações Unidas no início desse século, a ordem desses novos tempos deve ser relacionar o desenvolvimento humano e econômico à preservação das riquezas naturais, ou seja, desenvolvimento sustentável. Entretanto, a revolução sustentável proposta não se restringe apenas ao campo biológico, mas engloba todos os ramos da sociedade, difundindo-se, inclusive, nas áreas sociais e econômicas, visando o completo progresso humano. Assim, a globalização competitiva tanto quanto a visão capitalista antiecológica são verdadeiras armadilhas no processo biossustentável, já que estão formadas a partir da exploração do homem e do meio. Por sua vez, um capitalismo voltado ao cooperativismo e à evolução do homem, ser e espécie, é a base para as revoluções sustentáveis de todos os níveis da sociedade.
Esse momento, único e indispensável, foi sonho de muitas gerações e deve ser nossa herança para o futuro. É preciso sonhar, mas com a condição de crer e realizar, escrupulosamente, a nossa fantasia. A teia da vida deverá ser tecida ao longo da história das populações, de modo que se consiga a paz e a harmonia homem-planeta. Lutar por nossos ideais e levar a causa sociossustentável é dever de todo filho de Gaia, a Mãe-Terra. Nosso futuro é o mundo. Nosso endereço é o planeta. Nossa história, nossos sonhos são a Terra.
É, eis que chega o fim. Acabou. Cada um de nós, agora, somos donos dos nossos narizes. Cada um de nós, de agora em diante, somos responsáveis por nossas escolhas e nossos atos. O ensaio terminou, a vida nos espera. Agora é o momento de mostrar-nos quem somos e o que realmente queremos para a nossa vida. Por isso, não, não é o fim. Não é o término, mas sim, o início de um novo momento, de uma nova etapa. Um novo passo a ser dado. O ensino médio passou como uma chuva de verão, quente e suave. Este ano então, podemos dizer, sem medo do futuro, que foi o melhor ano de nossas vidas. Também só podia ter sido. Vivemos com pessoas que fizeram parte e sempre estarão conosco em nossa caminhada. Criamos laços. Vivemos momentos inesquecíveis, histórias que ficarão pra sempre em nossa memória. Festas, desde forrós no sítio até aniversário de um professor único. Criamos uma relação que nada, nem o tempo ou o espaço, poderá apagar. Vencemos. Chegamos ao topo de nossa vida escolar. E tudo isso de uma forma tão natural, tão simples, tão bela. Construímos neste ano, seja no calor humano de nossa turma ou no friozinho bom danado da sala de vídeo, histórias de uma história que rompe as barreiras da separação. Por que o eterno sempre dura. Dura pra sempre. E se lembra quando a gente chegou um dia acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre, sempre acaba. Pois é, acaba. Mas não acaba assim, em meio lagrimas e soluços, não. Nossa turma não é disso; Nossa turma é de festa, de alegria, de revolução. De fazer luto e abaixoassinado em favor de um ente que partiu desse turno para um, digamos, melhor. E é uma turma também de por medo em professor. Quantos de biologia ja nos ensinaram? Gente, por gentileza; depois de três outros, foi necessaria uma professora firme e forte para nos domar. E falando nesse povo que teima em querer por conhecimento em nossas cabeças, só temos a dizer: Obrigado. Obrigado Viviane por tantos Sentem e façam a tarefa, agora; que se tornam mais um simples detalhe na nossa relação. Obrigado Givanildo por tantos discursos eternos que ninguém sabe ao certo o que quer dizer... E a criança Hélder, valeu por abrir o nosso coração pra Jesus, e por deixar o nosso quadro intacto... Enquanto física, bem passamos essa parte, a amizade é a mesma. Das nossas professoras estrangeiras, Roberta, mais do que qualquer professor conhece essa turma, afinal foram 11 anos em nossa companhia, e Dyrce, só conhece Dyrce quem conhece Dyrce e seu Cerrem sus libros, ahora; Thank you y Gracias. Valeu mestre Adilson, por toda a sua convivência com essa galera. E Alex? Ah, ALEX. Um verdadeiro onívoro cultural, um amigo dos melhores de nossa turma, porque ser amigo é isso Alex, aguentar até a ultima gota de paciência e querer sempre o melhor do outro. Aqui, portanto 42 sinceros obrigados de amigos seus. E quer um conselho de amigo? Seja mais humilde, homem; alias sejamos todos mais humildes em reconhecer que o que somos depende muito de vocês. Voltando a esta turma, e que turma; tão heterogênea e igual. Especial. Em todos os prismas e sentidos. Das gargalhadas de Haline e as viajadas de Heron. Das brincadeiras de Clara, de seu vocabulário tao distinto. Que absurdo; Do caso mal resolvido de José Breno e Ricardo, que não se separam, e de mel, Meu mel. De um representante que vai com seu cabelo de Rodrigo Hilbert a David Beckham. E de uma pessoa que tanto fala na sala... né Carol? E também uma pessoa eu vive em dúvida, chora não Bia. E claro não podemos esquecer um motoboy de um cabelo que faz sucesso por onde passa. E se por acaso um problema lhe atingir, você pode contar com o maravilhoso chá de Maria, cura gripe, dor de cabeça, enjoo, deslocamento de joelho de Caíque e até mesmo desmaios de José Breno. Contudo, pra quê o cha se nós temos uma enfermeira na sala? Do quarto pra piscina e da piscina pro quarto. E claro um colega nosso eu sempre esta presente: Jonh Nash. É, foram tantos momentos, tantas histórias. Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias eperguntarão: "quem são essas pessoas?" Diremos que eram nossos amigos e isso vai doer tanto! Foram meus amigos. São meus amigos.E foi com eles que eu já fiz coisas incríveis. Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, já fiz amigos eternos, já amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, já fui amado e não soube amar. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, mas "quebrei a cara" muitas vezes!Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, já me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e... Tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas sobrevivi! E ainda vivo! Não passo pela vida...E você também não deveria passar. Viva!!! Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve...
O meu cordel estradeiro
Vem lhe pedir permissão
Pra se tornar verdadeiro
Pra se tornar mensageiro
Da força do teu trovão
E as asas da tanajura
Fazer voar o sertão
Meu moxotó coroado
De xiquexique facheiro
Onde a cascavel cochila
Na boca do cangaceiro
Eu também sou cangaceiro
E o meu cordel estradeiro
É cascavel poderosa
É chuva que cai maneira
Aguando a terra quente
Erguendo um véu de poeira
Deixando a tarde cheirosa
É planta que cobre o chão
Na primeira trovoada
A noite que desce fria
Depois da tarde molhada
É seca desesperada
Rasgando o bucho do chão
É inverno e é verão
É canção de lavadeira
Peixeira de Lampião
As luzes do vaga-lume
Alpendre de casarão
A cuia do velho cego
Terreiro de amarração
O ramo da rezadeira
O banzo de fim de feira
Janela de caminhão
Vocês que estão no palácio
Venham ouvir meu pobre pinho
Não tem o cheiro do vinho
Das uvas frescas do Lácio
Mas tem a cor de Inácio
Da serra da Catingueira
Um cantador de primeira
Que nunca foi numa escola
Pois meu verso é feito a foice Do cassaco cortar cana Sendo de cima pra baixo Tanto corta como espana Sendo de baixo pra cima Voa do cabo e se dana.
Somos muito redundantes. Repetimos, obcecados, as mesmas ideias que já formulamos. Na mesma frase acumulamos informações superpostas, congestionando o trânsito verbal. Empilhamos uma em cima da outra (e seria possível empilhar de outra forma?) as palavras dessa torre de Babel. Perdemos tempo (nosso e alheio) empregando demasiado tempo para se dizer que o tempo não se pode perder. Acrescentando ao dito o que, não-dito, melhor seria não dizer.
Quando eu chovo, chovo no molhado, o que provoca uma enchente de ideias inúteis. O velho ”SUBIR PARA CIMA” e o mais velho ainda “DESCER PARA BAIXO”.
Um escritor anuncia na entrevista: ”Estou escrevendo a minha autobiografia”. Maior feito literário seria escrever a autobiografia de outra pessoa. O político afirma no discurso: “Não há outra alternativa!” Mau sinal... Por que mencionar essa outra se alternativa significa justamente outra opção? O garçom comunica: “Servimos canja de galinha”. A canja só pode ser de galinha, a menos que falte galinha nessa canja! O médico pontifica: “O terçol nos olhos é um problema corriqueiro.” Então porque não deixar a palestra para o dia em que o terçol atingir outros órgãos?
A socióloga debate: “O elo de ligação que une essas pessoas...”. O historiador observa: “Os faraós do Egito”. O economista analisa: ”Os preços aumentaram mais”. A professora interpreta: “O principal protagonista do romance”. O senhor da praça pede: “Você pode repetir de novo?”. O agrônomo conclui: ”Foi culpa dos agrotóxicos que adentraram no interior do solo”. O cantor canta: “Detalhes tão pequenos...”. E alguém, cansado de tanta redundância, diz: ”Precisamos encarar de frente esse problema da redundância!”. Bem, se fôssemos encarar de costas seria um baita torcicolo!
Há dias já me abateu o desejo de escrever-vos esta pequena passagem. Faltava, porém, disposição e a inspiração necessária para que eu pudesse sentar-me e dedicar ao teclado as letras aqui dispostas. Contudo; minha preguiça foi vencida pela inconstância do meu cérebro em por as vozes do inconsciente pra fora.
Um relógio digital piscava no alto de uma parede. Na pressa da multidão meus passos se confluíam no som que as outras pegadas invisíveis deixavam no concreto. O trem já estaria chegando. Enquanto ele não chegara, procurei um lugar a fim de descansar meu corpo. Avistei um assento e fui a sua direção. Sentei. Ao meu lado, o vazio me acompanhava. Quanto invisíveis somos no meio de tanta gente! De repente, uma moça magra de traços sutis sentou apressada ao meu lado. Pôs a mão no rosto e começou a chorar.
Nesse momento, um grito de desespero invade a minha alma. Por que a moça estaria chorando? Fiquei imóvel. Ela, coitada, gemia em soluços paulatinos. Fungava. Tremia. Chorava. Sua dor me comoveu. Mas uma força, dessas que só aparecem nos momentos mais indesejáveis, calava-me. À toa. Deveria lhe oferecer ajuda? Mas se ela não gostasse? Se achasse uma intromissão, uma falta de respeito, um entrar em assuntos que não me interessavam? Fiquei calado. Por mais que gritasse, ninguém me ouvia.
A moça parou de chorar. Retirou de sua bolsa um lenço que levou aos olhos, que já estavam secos de lágrimas. Ficou séria, um pouco rubra. Em sua volta dezenas de corpos a olhavam paralisados. Pareciam frias estátuas de madeira. Bonecos de bronze. E eu era um desses. Uma nova lágrima caiu no chão. Dessa vez sem tantos soluços, mas silenciosamente, cortante. Ela voltara a chorar e eu, insignificantemente, permaneci estático. Um barulho se aproximava. Movimento na estação.
Como a viajem era longa, procurei um assento, de preferência próximo à janela, onde as imagens distraíam-me e diminuiam o trajeto. Porém, do vidro embaçado apenas extraia-se o vulto da jovem que permanecia enxarcando as mãos. Todavia, mesmo com a sua sombra esvaindo-se à medida que a máquina de ferro rachava os trilhos, ficou intacta em minha alma uma marca de uma lágrima.
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia E não adianta nem me procurar
Em outros timbres e outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar...
Ser, ou não ser - eis a questão.
O que é mais nobre para a mente sofrer
Os dardos e setas de destino cruel
Ou pegar em armas contra um mar de desgraças
E pela resistência pôr-lhes fim? Morrer, dormir;
Nada mais? E com o sono, dizem, terminamos
O pesar do coração e os inúmeros naturais conflitos
Da carne herdados. Eis um epílogo
Devotamente desejado. Morrer, dormir.
Dormir - sonhar talvez. Eis a dificuldade.
Nesse sono da morte, que sonhos virão
Quando nos libertarmos do invólucro mortal
Devemos nos deter. Aí está a reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria os insultos e desdéns do tempo,
A injúria do opressor, a afronta do soberbo,
As angústias do amor desprezado, a morosidade da lei,
As insolências do poder, e as humilhações
Que o mérito paciente tem do indigno,
Quando ele próprio pudesse encontrar repouso
Com uma lâmina nua?
Quem suportaria tão duras cargas,
Gemendo e suando sob uma vida penosa,
Se não fosse o temor de algo após a morte -
Região misteriosa, fronteira de onde
Nenhum viajante retornou - confundindo a vontade,
E impelindo-nos a suportar os males que nos afligem
Em vez de nos lançarmos a outras que não sabemos?
Assim nossa consciência nos faz covardes em tudo.
E assim a cor nativa de nossas resoluções
Se debilita na pálida sombra do pensamento,
E as empreitadas de maior alento e importância
Com semelhantes reflexões desviam seu curso
E perdem o nome de ação.
Palavra não é coisa para se deixar no fundo da gaveta, mofando. Palavra, quando nasce, é para você cuidar, botar roupa nova, dar vitamina e sair para passear com ela, até ficar bobalegre. Toda palavra é uma criança: brota batata no céu da boca e se esparrama pelo chão das más línguas. Aí, vira palavrão. Como o primeiro verso que aprendemos na infância, a palavra dorme com a mão no coração. Chora de noite, nas repartições da consciência. Na falta desta, berra no sonho. E derrama lágrimas de conta-gotas na garrafa dos últimos pesadelos. Nesse caso a palavra pode virar rio, oceano, tempestade, maremoto. E inundar os mais bem guardados abismos. Por isso é preciso ter cuidados. Palavra, quando adoece, não tem remédios. Se perde o sono, o jeito é apelar para o Lexicotan (um palavrão antidistônico, filho da gíria e do jargão, primo do Bichionário, e irmão da Desgramática). O Lexicotan pode ser dissolvido no chá da mamadeira verbal. Assim a palavra ronca, ressona. E acorda falando.
Quando a palavra cresce, é preciso escolher os amigos dela. Aproximá-la de outras palavras que possam torná-la mais bonita. Toda palavra é adolescente. Confusa, medrosa, gorda, insegura, magrela, entediada, nariguda ou autoritária. Essa palavra, quase sempre, não sabe o que quer. Então, é necessário um diálogo, um papo firme, bem franco. Às vezes, um limite: castigo, puxão de orelhas, corte de mesada, para que ela possa florescer como as roseiras depois da poda. Aí, talvez, só pra contrariar, ela vai ler O Pequeno Príncipe. Em seguida, virar manequim, top-model, miss. Você vai ter que dar o braço a torcer, argumentando apenas que isso é brega, ultrapassado. Mas não haverá mais o que fazer. Outros ficarão de olho nela, admirando as medidas perfeitas, os efeitos especiais, as curvas... Essas curvas com as quais poderia ela, um dia, botar um rapaz a se perder: o rapaz e suas convicções mais profundas... E não adianta ter ciúmes de sua palavra. Ela já conheceu Freud, já se apaixonou por Lacan e já dormiu com Jung debaixo do travesseiro. Pior: já devorou todos os “paulocoelhos” dessa vida.
A palavra pode ser fatal. Quando vira mulherfeita, é outro perigo. Nessa fase, é preciso ter cuidado redobrado: a palavra madura é armadilha volátil, retrátil, e ao mesmo tempo substantiva. Nunca está só, porque agora, com vida própria, já escolheu seus advérbios-parceiros, seus jovens e adjetivos-amantes. E mais: os astutos e quase invisíveis pronomes. No encalço desses você terá que colocar detetives. Gente do naipe de Sherlock Holmes ou Hercule Poirot. A explicação é simples: os pronomes não deixam pistas. E são dificílimos de seguir, de segurar, ou de prender. E é preciso ter jogo de cintura, coragem, disposição e sangue frio para “abater” o pronome-passarinho que está importunando sua palavra. Há casos, na empreitada, em que se faz necessário contratar pistoleiros de aluguel. Desses que não erram a pontaria. E fazem o serviço limpo, sem alarde. Conheço um, por exemplo, que é especialista em dar cabo nos “pronomes impessoais do caso reto”. Adora eliminá-los em qualquer lugar, seja lá em Santana do Vão Vernáculo, ou em Vila Velha da Nova Ortografia. No fim da limpeza, sopra o cano do revólver e o enfia novamente no coldre. Depois, calmamente, acende um cigarro-de-palha, monta no cavalo-de-pau e some no poente. The End. E lá está o bicho-pronome no chão, estatelado, como um artigo definido.
Numa certa tarde de inverno, sua palavra cisma de ganhar o mundo. Vai embora. E se casa com um ruído pós-moderno. Mas, logo em seguida, eis a separação. Ela já quer o divórcio, exige pensão alimentícia, e você argumenta: “Deixa disso. Pensão alimentícia é coisa ultrapassada, machista. São os dois que cometem o erro, reconhecem o erro, e só um paga por ele”. Mas não adianta. Sua palavra volta para casa com um monte de palavrinhas-netinhas pra você criar. Algo assim como Catabulerindobível, aquela palavra que James Joyce inventou pra ficar se coçando na hora do banho!
Depois ela envelhece. Enrugada, gorda, decadente, murcha, esclerosada, tenta se manter de pé. Faz lipoaspiração aqui, coloca implante ali, plástica acolá. Se renova toda, inventa roteiros transatlânticos. E la nave va...
Quando retorna, você não mais a reconhece. Está recauchutada como um gato de dezessete vidas. Sua velha conhecida volta novamente criança, pra que você possa lhe ensinar o mito da Fênix.
Fênix? Zupt! Um pensamento mal enjambrado, e ela renasce das cinzas, plena, cheia de vida. (Renascer: algo que você não consegue durante a vida inteira, por covardia, ou por faltam de uma firula que os amigos chamam de “personalidade definida”). Mas ali está ela, à sua frente, o novo rabo da lagartixa. O tempo reciclado cheio de palavras. Por isso já decidi: “Na outra encadernação quero voltar como livro!”. E basta.
Tem gente que possui muitas palavras guardadas no armário-dicionário de suas vidas. Não sei o que é ter muitas dessas, graças a Deus. Só tenho uma que é fundamental: Mãe, que também é uma palavra que pode se chamar Eugênia. E também Sebastiana, Zindinha, Diva, Maria de Lourdes, Angelina ou outras Ângelas, e outras Marias. Ou mãe que também pode se chamar Graça, que é uma palavra que dorme comigo, que me acende o Sol, e vale por sete mil amores. Ou mãe que pode se chamar Larissa: uma palavra-filha que todo dia me acorda da Lua, me põe no mundo outra vez, e é sinônima de “alegria”: uma outra forma de dizer “felicidade”.
SETTE, Graça; PAULINO, Maria Ângela; STARLING, Rozario.
Transversais do mundo – Leituras de um tempo; Belo Horizonte: Lê, 1999.