sábado, 18 de junho de 2011

Os insetos interiores (O Teatro Mágico)

Notas de um observador:
 
Existem milhões de insetos almáticos. 
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides
 
que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
 
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

 


sexta-feira, 17 de junho de 2011

A toada da porteira

















A porteira vindo range,
A porteira indo range,
A porteira vindo range,
A porteira indo range,
A porteira vai...

Vai ao encontro do som perdido no passado
Água da bica na jarra de barro.
O carro de boi que leva a cantiga,
Procissão de Ramos que traz a prece,
Logo anoitece...

E as estrelas, violeiras do silêncio,
Misturam o repente no coco de roda
Na dança, na ginga, no estalo, no som...
No labor intenso das casas de farinha
Pai Tomás, Comadre Fulozinha,
E os fantasmas tortos da velha usina de algodão.
E o batuque do trovão,
Que abre abril
Transpassa por maio
E ecoa em São João...
Em xote e xaxado
E o velho Gonzaga...

Ah! Boadeiro,
Vai pra junto do teu bem, homem!
Que o gado já está bem guardado
E a porteira...
Essa já não range mais.
Rivaldo Júnior

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Chão de Giz (Zé Ramalho)

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...


Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...


Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...


Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...


No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...

domingo, 5 de junho de 2011

Restos de insônia

Começo essa narrativa deitado em minha cama, olhando o teto branco. Já deve ter passado das duas da madrugada, e eu continuo aqui, olhando as manchas de infiltração na laje do meu quarto. Braços cruzados sobre meu peito. O barulho intermitente do ventilador tentando livrar meu corpo dos ataques dos pernilongos. Um caminhão, ou talvez um ônibus, desce a minha rua. Ouço gritos e um barulho forte. Viro-me de lado, procuro cochilar, mas o sono perde-se na escuridão. Me levanto. Vou a cozinha beber um copo d'água.

Tudo bem que o que eu disse não cabia nem no lugar nem no momento, mas ficar com raiva de mim só porque falei a verdade... aí já era hipocrisia. Até seus parentes mais distantes sabiam, contrariando toda a reclusão de seu relacionamento, que seu casamento não ia tão bem. Certa vez, conversando com Dona Ilda, uma de suas tias lá de Minas que viera a São Paulo para, além de conhecer seus sobrinhos-netos, realizar a tal necessitada operação de catarata; a boa senhora me perguntou qual era o problema do Pedro. O problema do Pedro? O problema do Pedro era seu casamento. Não aguentava mais a mulher e para safar-se da obrigação de ser pai e marido, a enganava. Claro que não frustrei a inocência da idosa com essa resposta, que por sinal era a melhor e a mais correta. Desviei a pergunta. Pus a culpa nos negócios, na empresa, no trânsito "endoidecedor" - como ela mesma dizia - e ela aceitou, ou pelo menos fingiu acreditar. Mas era óbvio o seu desprezo pela família. Já fazia semanas que não mais se olhavam. Meses que não os chamavam carinhosamente, o que era marca registrada do seu relacionamento. Agora, apenas um ácido nome próprio revelava a obrigação da contínua comunicação entre os dois.

Uma sirene passa rapidamente pela minha rua. Olhei para o pequeno basculante na parede do meu quarto, pelo qual eu, esporadicamente, fico observando a lua. Voltei a fitar o teto. Meus olhos não apresentavam nenhum sinal de sono. Mas eu sabia que teria um dia corrido e procurei fechar os olhos.

Estava bonita. Tristemente bonita. Trazia seus cabelos loiros presos. Seus olhos pareciam procurar um resto de vida naquela situação. Estavam perdidos, não olhavam para nada embora permanecessem todo o tempo voltados para o caixão. Porém estavam secos. Não haviam derramado nenhuma lágrima. Uma prima sua ficou tomando conta das crianças, que eram as coisas mais importantes de sua vida. Duas meninas, a mais velha deve ter uns quatro ou cinco anos e a mais nova tem pouco menos de um, ainda nem sequer aprendera a falar papai. Perdiam o pai de forma trágica. Sempre fui amigo do Pedro. Conheci-o na faculdade e logo que nos formamos começamos a trabalhar juntos. Era ótimo nos negócios, no entanto seus vícios de álcool e jogo levaram grande parte de seu tempo e dinheiro. Mas vivia bem. Conhecera a Lívia há pouco mais de cinco anos. Eram feitos um para o outro. Logo veio a primeira filha. E com ela, toda a rotina de casados. Mas o amor que os unia era mais forte. Conseguiu emprego em uma empresa maior, que lhe pagava quase o triplo do que recebia no antigo emprego, onde trabalhávamos juntos. Eu, bem, continuei ganhando pouco, porém com destino que cumpriria, daria minha vida para não ocupar sua vaga. Mas nem por isso deixamos de ser amigos. Até que um ano atrás começou a frequentar casas de apostas. Eu não tinha condições de acompanhá-lo. Ele mesmo vivia dizendo e redizendo que era jogo de gente grande, de muito dinheiro. Que faria eu lá? Que faria eu lá... Começou a se endividar, ao passo que se afundava na bebida. Tinha amantes e com elas passava os sábados e os domingos de trabalho extra. Esqueceu a mulher, que tudo fazia para não ver a situação que estavam. Começaram as brigas, discussões, os mal-tratos. Recordo de um domingo que fui visitá-los e não o encontrei. Ela estava chorando no tapete. A sala estava revirada. Cacos de vidro espalhados próximos da porta que estava escancarada. Fiz notar minha presença. Chamei e ela rapidamente se levantou. Enxugou os olhos e disse que tinha derrubado "sem-querer" a cristaleira que herdara da avó de Minas. Assumi que não acreditei e que sabia que as coisas não iam bem. Ela despencou sobre mim em lágrimas como se pela primeira vez tirasse um peso imenso de seu corpo frágil. Me abraçou e, chorando, começou a contar sobre o que havia acontecido. Disse que o Pedro ficara revoltado quando havia lhe dito que estava grávida e a ameaçou caso não tirasse a criança. Ela rispidamente disse que não faria e ele a atacou. Chorando ela olhou pra mim, perguntando o que havia acontecido com seu marido. Não pude responder. Não deu tempo. Ela me abraçou novamente e eu a abriguei em meus braços. Ficamos assim por intermináveis minutos.

Bocejo largamente. Espero que seja finalmente o sono chegando. Pelo basculante, o já citado, percebo que a luz do poste que fica em frente a minha casa se apagou. Seria falta de energia? O ventilador me responde que não e eu não discuto com ele. Procuro o celular... na mesa. Vou lá buscar.

Na quarta recebi uma ligação, era o Pedro pedindo para eu dizer a Lívia que não se preocupasse pois não voltaria pra casa naquela noite. Não voltou. Não voltou mais. Anteontem, a mulher me liga desesperada procurando o marido. Me disse que ele não voltara e não atendia o telefone. Começaram as buscas. As esperanças morriam com o passar das horas. Um carro foi encontrado carbonizado próximo ao Morumbi. Restos de um corpo foram enviados para os exames. Era o Pedro. Não consigo citar a agonia e o desespero da família. Daquela mulher, daquelas crianças. O enterro foi apressado e rápido devido a situação do corpo. Poucas pessoas. Seus pais não chegaram a tempo do Espírito Santo para acompanhar o velório do filho único. Vida, terra, flores, morte. Voltei para casa. Mas não antes de falar com a viúva.

"Ele não mais te amava. Perdeu a vida sem dar conta da mulher que havia perdido." Essas palavras ecoam agora pelo meu quarto escuro. Quem as escuta? Ninguém além de mim. Mas elas romperam, com certeza, as paredes de meu quarto e foram a outra casa provocar a mesma insônia em alguém que já as tinham ouvido muito antes de serem ditas.  

Rivaldo Júnior

terça-feira, 24 de maio de 2011

Morte e Vida Stanley (Cordel do Fogo Encantado)

Na madrugada de vento seco,
No clarão da grande lua prateada
No recôncavo do sol...
Na montanha mais longe do mar
Numa serra talhada, espinho fechado, coivara, caieira, vereda...
Distância da rua.
Mato, cerca, pedra, fogo, faca, lenha,
Cerca, bote, bala, bote, bala, bote, senha!
Tabuleiro, tabuleiro em pó
 
Na pedra dos gaviões
Uma mulher deitada
O nome é Maria
A dor conduzindo o filho terceiro
Nas garras do mundo sem guia...
 
- Vai nascer outro homem,
Ouviram!
-Vai nascer outro homem,
Outro homem!

O seu nome é Stanley
Mais um filho da pedra dos gaviões
Da montanha,
Do recônvavo do sol.
E eu aqui vou cantar
Sua morte, sua vida
Seu retrato sem cor
Seu recado sem voz
Morte e vida Stanley
 

sábado, 21 de maio de 2011

Quinta-feira, 5 de maio de 2011

Acordei cedo esta manhã.
Abri o sorriso
Abri os olhos
Abri a janela
Abri a porta
Abri o mundo.

Vou vivendo em quanto posso
Enquanto resta ar para respirar
Enquanto minhas pernas aguentam
o peso do meu corpo morto,
do meu sorriso aberto.
Enquanto ainda está claro
Logo, logo escurece...

A chuva que cai não molha só minha rua
Molha minha alma em gotas de sangue.
Sangue, lágrima, suor.
Chuva.
Levanto a cabeça
Respiro fundo
Abro o céu.

Faces passam pela rua suja.
E outras ficam sob meus pés.
Misturam-se na lama poluindo o ambiente.
Ninguém as nota.
Melhor assim.
Curvo meus olhos.
Paro o movimento.
Prossigo.

"Olha a bala!"
O inocente aviso do vendedor de doces 
me causa pânico.

Faces continuam passando
Numa correnteza humana.
Arrastando o que ousar em estar a frente.
Deixando para trás.
Tristes, sós.
A procura do que não se acha.
Do melhor da vida.
Da vida melhor.
Da vida perdida.
Por uma bala encontrada no meio do caminho.

tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra

Olha a bala!
Olha a bola!
Olha a pedra.
Paro.
Me empurram para fora.
Me empurram para dentro.
Mas pra quê tanta pressa, gente!
Todos querem um lugar ao sol.
Querem um lugar à chuva
Que volta a cair.
E carregar o entulho humano
por entre becos e vielas escuras.
Me leve de uma vez por todas.

Anoitece cedo hoje.
Fecho o mundo.
Fecho a porta
Fecho a janela
Fecho os olhos
Fecho o sorriso.
Que, pra falar a verdade, nunca deveria ter aberto.
Rivaldo Júnior

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Jack Soul Brasileiro (Lenine)

Jack Soul Brasileiro,
E que som do pandeiro
É certeiro e tem direção.
Já que subi nesse ringue
E o país do swing
É o país da contradição...
Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada
Na língua da percussão
A dança, mugango, dengo,
A ginga do mamolengo,
Charme dessa nação...

Quem foi? Que fez o samba embolar?
Quem foi? Que fez o coco sambar?
Quem foi? Que fez a ema gemer na boa?
Quem foi? Que fez do coco um cocar?
Quem foi? Que deixou um oco no lugar?
Quem foi? Que fez do sapo
Cantor de lagoa?...


E diz aí Tião!
Diga Tião! Oi!
Foste? Fui!
Compraste? Comprei!
Pagaste? Paguei!
Me diz quanto foi?
Foi 500 reais
Me diz quanto foi?



Jack Soul Brasileiro
Do tempero, do batuque,
Do truque, do picadeiro,
E do pandeiro, e do repique,
Do pique, do funk rock,
Do toque da platinela,
Do samba na passarela
Dessa alma brasileira,
Despencando da ladeira
Na zueira da banguela...
Alma brasileira
Despencando da ladeira
Na zueira da banguela...


Eu só ponho BEBOP no meu samba
Quando o tio Sam
Pegar no tamborim.
Quando ele pegar
No pandeiro e no zabumba
Quando ele entender
Que o samba não é rumba...
Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana
Chiclete eu misturo com banana,
E o meu samba, e o meu samba,
Vai ficar assim...



A ema gemeu... no tronco do juremá!

Eu digo deixa!
Que digo!
Que pensem!
Que fale!
Deixa isso pra lá
Vem pra cá
O que que tem?
Eu não to fazendo nada
Você também,
Não faz mal bater um papo assim gostoso com alguém.

domingo, 15 de maio de 2011

Poema de sete faces (Carlos Drummond de Andrade)


Quando nasci, um anjo torto  
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauchena vida.                                    As casas espiam os homens.
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
 
O bonde passa cheio de pernas:                                            não houvesse tantos desejos.
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.                        Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
Mundo mundo vasto mundo,                                                     se sabias que eu era fraco.
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mas vasto é meu coração.

                                                                          Eu não devia te dizer
                                                                          mas essa lua
                                                                          mas esse conhaque
                                                                          botam a gente comovido como o diabo.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Sinapse Nervosa


M   U           P   NS   ME   T           É          M   IS
R  ´  PI   O           QU          AS        INH    S  
MA    S.  
Rivaldo Júnior

domingo, 8 de maio de 2011

O poema do poeta iludido

Dia desses,
Uma flor veio me contar
Que seus passos andam mais leves...
E seus caminhos, rodopios
Apressados fazem cócegas
Na barriga da estrada.

Essa mesma flor
Ainda me disse,
Que seu corpo está mais cheio
De graça e de beleza.
Seus trejeitos
Tão sem-jeitos
Revelam aquele desejo
De talvez querer um beijo
Que transborde a explosão
Que não mais cabe em seu sorriso.

E essa flor continuou
A dizer-me mais segredos!
Que dissestes sem ter medo
Que aí dentro só cabia eu em teu coração!

Tu me amas!
Sim, me amas!
Como me amas!
Meu amor, coraçãozinho!

O vento varre as folhas secas
Um gato mia...
Miau.

Foi aí que um velho tronco
Desses que só vivem pra viver
Sem nenhuma razão pra vida,
Me chamou de lado e disse:
“Teu amor não mais te ama, tolo poeta,
Porque nunca te amou.
Foi por outro e a outro que ela deu o seu amor.”

Meu amor, coraçãozinho.
As lágrimas que derramei
Regaram aquela flor,
Aquela que me disse bobagens...
E o capim que comerás pela raiz.
Te amo. 
 Rivaldo Júnior

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Coração bate de novo no compasso da serenata (Márcia Guerreiro)

          As cenas são centenárias, mas não há quem não sonhe ser a mocinha ou o mocinho que cruza olhares no embalo de uma serenata, que tenham nos olhos o refelxo da chama amarelada das velas sobre a mesa de jantar e que, emocinados, molhem o sorriso com lágrimas na entrega da rosa.
         O comportamento parece ridículo, mas também não há quem não sonhe em ficar sentado horas esperando o telefone tocar para depois relembrar palavra por palavra dada do outro lado da linha; escrever frases bregas no cartãozinho mais brega ainda (e achar um exemplo de bom gosto e originalidade); ficar sem comer (ou comer demais); ouvir música (melosa) sem descanso e perder o maior tempo imaginando os passos do outro.
         Não há quem não queira ser o motivo da "loucura" e da inspiração (mesmo desastrada) para o versinho que vem assinado pelo Chuchu, pelo Fofo ou pela Gatinha - apelidos que fazem o resto do mundo cair na gargalhada e ele(a) se sentir realmente fofo, um chuchu ou uma gatinha. Os últimos românticos ganharam milhões de companheiros. O romantismo sobreviveu a todas as formas de revoluções de comportamento. Ele pode ter emprestado as vestes da modernidade, mas despido, ainda tem velhas formas que emocionam todas as gerações. Não há como negar.Não há quem não queira ser o te do Eu te amo.